quarta-feira, 21 de agosto de 2013

FLORES RARAS - breve comentário

Ontem Ariadne e eu estivemos no cinema para assistirmos ao novo filme de Bruno Barreto: Flores Raras. Confesso a minha agradável surpresa com a produção da obra. O filme é baseado no livro "Flores raras e banalíssimas - A história de Lota de Macedo Soares e Elizabeth Bishop". Tal livro retrata o relacionamento afetivo entre Lota de Macedo e Elizabeth Bishop (premiada poetisa norte-americana). Sobre o filme, destaco primeiramente as atuações das atrizes protagonistas Glória Pires (Lota de Macedo) e Miranda Otto (Elizabeth Bishop). Elas trouxeram para o filme uma densidade para as personagens, saindo do plano superficial (erro que poderia facilmente ocorrer) e fugindo do maniqueísmo. Dessa maneira, a relação entre as personagens traz para o filme a tensão que ocorre quando duas personalidades distintas e profundas se envolvem tão intensamente. A fotografia do filme também merece uma menção elogiosa. Ela possibilita uma ambientação que me pareceu adequada para a proposta do filme. Sobre o roteiro, temos que compreender que se trata da adaptação de uma obra literária, então, não há como fugir da sensação de que em alguns momentos houve um corte excessivo, um "andar mais rápido do que a vida permitiria". Afinal, tanto a obra literária quanto o filme tentam trazer momentos de um relacionamento que durou 16 anos. Acredito que o momento histórico (décadas de 1950 e 1960 no Brasil) e a poesia permeiam o filme do início ao fim, trazendo um algo a mais para a obra. Mérito da equipe de roteiristas. Por último, não deixaria de destacar a tragédia - mais próximo do sentido grego do termo - (tema do qual me interesso), ou melhor, a evidência dos momentos trágicos no relacionamento entre Lota e Bishop. Desde um encontro ao acaso, até um fim também ao acaso. Não relato tais momentos para não atrapalhar aos que os assistirão. Bom filme!

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