sábado, 17 de dezembro de 2011

Por um pouco de Sherlock

Recentemente retornei às minhas leituras de romances policiais, principalmente Sherlock Holmes. Tais leituras abreviam minhas andanças nos transportes públicos. Quero dizer, o tempo que permaneço nos vagões e nos ônibus continua sendo o mesmo, porém (lembremos da relatividade temporal), passa mais rápido.
Hoje me vi pensando sobre quando havia deixado de lado tal hábito, afinal, Agatha Christie foi uma grande companheira de minha adolescência. Talvez tenha sido o início das atribulações da vida adulta, talvez tenha tido uma súbita falta de interesse; enfim, não tenho certeza. Contudo, o fato é que esse resgate me fez pensar no quanto tive certas experiências ao longo da minha existência e aos poucos fui deixando de lado, sem perceber, como quando abro uma bala andando na rua e não há uma lixeira aonde possa depositar o papel da bala, então ando com ele na mão e quando me dou conta já o larguei pelo caminho.
Me parece que durante o meu caminho deixei alguns papéis para trás que gostaria de resgatá-los. Não sei o porquê de te-los deixados, talvez descubra, talvez não... somente espero reencontrá-los.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

UM DIA, PSICOLOGIA

Putz!! São quase onze horas da noite. Que dia eu tive! Logo de manhã tive que me apressar, pois havia “perdido a hora” mais uma vez. Às vezes, me pergunto como é possível que uma pessoa possa perder tantas vezes a mesma coisa. Havia marcado um encontro com Wundt e estava atrasado, esse velho alemão é um sujeito legal, porém, não suporta atrasos, ele é quase um “relógio” de tão objetivo. Ultimamente, tenho tido certo interesse pela tal da psicologia e me disseram que deveria conversar com Wundt. Contudo, devo confessar, o que ele me falou não era muito o que eu esperava. Veio me falando sobre medições da consciência, da atenção, da memória... isso pode até ser interessante para alguém, mas não o era para mim.

Assim que terminei a conversa com Wundt, tive que correr novamente porque estava atrasado outra vez. Desta vez meu encontro seria com Skinner. Estávamos em seu laboratório juntamente com um bocado de ratos. Ele me apresentou sua teoria sobre o Behaviorismo Radical (reforçamento, punição, aprendizado, condicionamento), defendendo que o comportamento humano é fruto das interrelações entre o ambiente – cultura, a filogenética e a história de vida do indivíduo. Então, pensei comigo, o homem afeta e é afetado pelo ambiente, e, para compreender se tais estímulos que o sujeito recebe são reforçadores ou punidores, é preciso realizar uma análise a partir das interrelações nas quais o sujeito participa. Após essa conversa, a palavra “complexidade” não saiu da minha cabeça. Pedi que Skinner repetisse alguns pontos e gravei no meu mp3, para que pudesse ir ouvindo ao longo do dia.

Saindo do laboratório de Skinner, na sala de espera havia um livrinho de bolso com o nome “Psicoterapias Existencial-Humanista”. Enquanto descia pelo elevador folheei esse livrinho. Parecia ser uma leitura legal, falava sobre a Terapia Centrada na Pessoa e a Gestalt – Terapia. Porém, assim que saí do elevador o deixei de lado. Embora eu já tivesse tido contato com a filosofia existencialista por meio da obra de Sartre, a fala de Skinner tamborilava em meus ouvidos. Saí do prédio e comecei a ouvir a entrevista que havia gravado em meu mp3.

Cheguei à estação de metrô e, enquanto esperava a locomotiva, dei uma olhada em alguns cartazes que estavam afixados. Havia um sobre psicologia da aprendizagem, outro sobre psicologia e educação, outro versava sobre psicologia da vida adulta e velhice. Bom... quando o metrô chegou dei um fim à minha leitura vagabunda, aqueles cartazes serviram para me distrair enquanto o tempo passava. Dentro do metrô continuava ouvindo meu mp3.

Rumei em direção ao meu terceiro encontro da manhã. Desta vez me encontraria com um tal de Freud. Disseram-me certa vez que não teria como caminhar pela psicologia sem ter um encontro com a sua teoria, a psicanálise (não sei bem o porquê disso, pois, pelo o que entendi, os psicanalistas não se definem como psicólogos). Enfim, a conversa com Freud foi demorada e entediante, parecia que não acabaria nunca. Ele falava sobre o inconsciente, pulsão, recalque, Complexo de Édipo e... confesso que não prestei muita atenção à sua fala. Mal sabia eu o quanto essa fala me faria falta no final do dia.

Após, fui almoçar no bairro Santa Efigênia e me deparei com o Instituto Raul Soares. Adentrei no hospital psiquiátrico e tive um encontro que mudou o rumo do meu dia. Me interessei verdadeiramente pelo universo da loucura. Não resisti e alterei todos os meus compromissos do dia para poder conhecer mais sobre a saúde mental. Durante toda a tarde eu transitei pelas práticas nesta área. Fui ao Centro de Saúde do bairro Tupi conhecer e participar do trabalho da equipe de saúde mental, realizei uma breve pesquisa sobre construção do caso clínico, fui ao município de Santa Luzia participar do trabalho do serviço de saúde mental e, por fim, realizei outra pesquisa na área. Minha tarde foi cansativa e me impôs uma interrogação: diante da complexidade do trabalho na saúde mental, como as informações que eu havia recebido durante toda a manhã iriam auxiliar?

Eu havia escutado meu arquivo mp3 do Skinner durante quase toda a manhã e na prática em saúde mental isso pouco me auxiliou. Quase todos os profissionais que conheci à tarde se orientavam pela psicanálise, então, fui obrigado a telefonar para Freud e pedi que ele me explicasse novamente alguns pontos de sua teoria. Como ele estava sem tempo, quem terminou de me explicar foi o seu secretário, Lacan. Desta vez prestei uma atenção maior.

No final da tarde, depois de toda a prática, parei e pensei nas dificuldades encontradas e percebi que o discurso da psicanálise era interessante para poder dialogar com os outros profissionais. Contudo, ele sozinho não era o suficiente para atuar na clínica da loucura. Entendi que é necessário o trabalho de uma rede interdisciplinar, pois a complexidade do trabalho exige isto.

Fiquei alguns minutos do meu dia pensando sobre a insuficiência das informações teóricas que eu havia recebido durante a manhã. Ouvi Skinner, Freud, Lacan e me senti impotente apesar de tudo. Comecei a pensar que o conceito de clínica deles era muito restrito para ser aplicado em contextos sociais mais amplos, como a saúde mental. Senti que teria de buscar outras pessoas para me auxiliar nessa empreitada, pois acreditei que poderia ampliar o conceito de clínica, sem cair em um reducionismo.

No caminho de volta para minha casa, encontrei um senhor caminhando pela pista de cooper. Como percebi que iríamos pelo mesmo caminho, puxei conversa. O nome dele era Deleuze e falava incessantemente sobre biopolítica, biopoder, sociedade de controle e sociedade disciplinar. A leitura macro da sociedade que ele realizou, me fez pensar no quanto é preciso refletir sobre o sistema social ao qual nós (humanos) somos submetidos. A fala dele acerca da sociedade disciplinar e a passagem para a sociedade de controle me fez pensar sobre a utopia do novo modelo de atenção em saúde mental e no quanto este novo modelo serve a determinados interesses do capital. No entanto, Deleuze também expôs as possibilidades de resistências diante desse modelo e isso de alguma forma me motivou. No meio do caminho ele cansou e decidiu ir para sua casa de táxi, porém, antes ele me disse que se eu quisesse entender mais um pouco sobre os temas falados, poderia procurar um tal de Foucault. Agradeci a conversa inesperada e nos despedimos.

Nossa!! Que dia corrido! Estou cansado, foi muita informação e prática para apenas um dia. Acho que marcarei um encontro para amanhã com o Foucault. Talvez também procure alguém que me possa dizer mais sobre movimentos sociais, ouvi falar de uma psicologia social que pode ser interessante. Para ser sincero, penso em marcar encontros com pessoas que não são da área da psicologia propriamente dita. Depois de hoje, acredito que a COMPLEXIDADE HUMANA não pode ser entendida somente por uma área de saber. Ah, meu mp3 continua tendo gravado a entrevista com Skinner, só que gravei nele também a conversa com Lacan, com Deleuze e com os profissionais da área da saúde mental. Chega de ouvir somente uma pessoa falando do ser humano, penso verdadeiramente que isso somente não basta.

Agora já é meia – noite. Vou dormir e descansar desse dia em que passei pela psicologia. Amanhã continuarei meus encontros, espero não perder a hora novamente.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Lágrimas de amor

Não há dor maior do aquela causada ao magoar a pessoa amada. Como é diferente o gosto das lágrimas que surgem dessa dor... talvez, porque tais lágrimas vieram do coração. Logo o choro, o mais ambíguo dos gestos, que pode ser atribuído à mais radiante felicidade, ou à mais intensa tristeza. Se chorei, se chorastes, algo há de imenso. Nesse caso, "algo" é amor.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Aspirando inspiração

Antes pudesse ser a desilusão
Porém o querer é para ti
A certeza é a incerteza
A solidão traz inspiração para quem aspira ser só
Pobreza em si?
Poder pra mim?
Ser só.
Dá um nó.
E é assim.