quarta-feira, 7 de junho de 2017

terça-feira, 16 de maio de 2017

LUTO HOJE, LUTO AMANHÃ

Rosimeire Silva
Ontem não havia palavra para expressar o que quer que tenha atravessado o meu corpo. Saber que a morte levou de maneira tão repentina uma pessoa que tanto admirava me deixou nesse estado corporal indizível. 

Ao confirmar a notícia que surgiu como um boato (quase uma brincadeira de mau gosto), sentei no chão, lembrei das conversas boas e das lições que ela me transmitiu e refleti sobre a merda do momento político que estamos vivenciando e o quanto a presença dela fará falta.

Rosi, a saudade que você deixará em todas as pessoas que estiveram ao seu lado nesses anos de luta por uma sociedade justa é um grande legado e tenho certeza que será lembrada em todos os momentos da nossa rede de saúde mental.

Luto hoje e luto amanhã por uma sociedade sem manicômios, com respeito aos direitos de todas pessoas que nela habitam.

Semana do 18 de Maio, Semana da Luta Antimanicomial!!

Rosimeire, sempre presente!






segunda-feira, 15 de maio de 2017

Vitória é vitória, mas...


Como era esperado, o jogo ontem não foi dos mais belos.O Cruzeiro no primeiro tempo voltou a apresentar uma grande dificuldade para penetrar na defesa adversária. Por outro lado, o São Paulo também apresentava a mesma dificuldade. Para piorar a situação dos espectadores, as disposições táticas das equipes eram semelhantes. O primeiro tempo foi uma monotonia. 


Porém, como sempre ocorre quando a situação está calamitosa, os deuses do futebol promoveram uma falha gritante da defesa são-paulina. Numa cobrança de lateral a defesa não se recompôs a tempo e Alysson (por incrível que pareça) acertou um passe para Ábila que só teve o trabalho de empurrar a bola para a rede. A partir daí o jogo ficou mais aberto, com um pouco mais de espaço para a bola correr. Não foi uma maravilha de segundo tempo, mas foi melhorzim... No final ficou um a zero. 
Diante do momento que o time azul celeste está vivenciando, um a zero foi goleada. O futebol se desenvolve aos poucos e os deuses somente promovem um estoque reduzido de milagres e acho que o estoque do Cruzeiro se esgotou em 2003. Então, bora trabalhar, gente! 

sábado, 13 de maio de 2017

Sigamos cantando, Cruzeiro...


Amanhã o Maior de Minas entrará em campo para o jogo de estreia do brasileirão. Após perdermos o campeonato mineiro para o nosso rival de bairro e sermos desclassificado da Sulamericana por um time que não tem torcida, essa partida de estreia promete ser tensa. Nosso treinador apresentou pouquíssima variação tática da equipe durante o ano e isso prejudicou nas duas últimas eliminações e na partida contra de volta da Copa do Brasil contra o São Paulo, nosso adversário de amanhã. Coincidentemente nosso adversário também foi desclassificado da Sulamericana nessa semana e também tem sido criticado por apresentar poucas "alternativas de jogo".

Não acredito que haja favorito para esse jogo, aliás, não me surpreenderia com um empate sem gols. De toda maneira, será um jogo muito disputado. Mano testou novas formações durante a semana, mas não acredito que iniciará a partida com grandes mudanças. A mais provável é a entrada do Dedé no time. Apresentar outra postura tática logo no início da partida não é uma característica do nosso treinador, contudo ele está pressionado pela torcida e pela imprensa, principalmente pelas falas durante as coletivas de imprensa.

Cabe ressaltar que a China Azul estará presente  e não utiliza alto-falantes para simular uma massa de torcedores, hehe.

Vamos, vamos Cruzeirôôô!!!! Rumo ao Penta!!!!





quinta-feira, 11 de maio de 2017

Curitiba abrasileirada

Democracia (?) X Estado de Exceção (?)    



O dia de 10/05/2017 pode entrar para a história do Brasil como o dia em que estiveram frete-a-frente as duas grandes representações da polarização do imaginário social da política brasileira.

Não pretendo me alongar nesse post. Quero apenas destacar que o que está em questão, na minha opinião, não se trata de projetos distintos. Lula e Moro são duas faces de uma mesma moeda. Quero dizer que eles jogam o mesmo jogo do poder, com as armas que possuem. 

Os pontos de interrogação na legenda da imagem dão o tom que, acredito, devemos ter em relação à polarização criada. Devemos interrogar se de fato não deveríamos estar refletindo sobre a alternativa a isso que se apresenta. Bom, é nessa perspectiva que tenho tentado compreender o momento político (num sentido amplo) que atravessamos.




quarta-feira, 10 de maio de 2017

Um Clássico, Duas Vitórias

Dia de Clássico é sempre um dia diferente. Como qualquer amigo meu certamente reparou, sou cruzeirense e carrego certo orgulho dessa qualidade.
No dia primeiro de abril ocorreu mais um clássico. Mais uma vez o "Maior de Minas" saiu de campo com a vitória. Acompanhei esse jogo escutando pelo rádio, com fone de ouvido no volume máximo. Estava na maternidade acompanhando o trabalho de parto da minha esposa. O Cruzeiro venceu e meu filho nasceu.

É isso mesmo, meu filho chegou nesse mundão esquecido de Deus em um dia de Clássico! Na vida ocorrem diversas ironias, mas meu primeiro filho vir ao mundo no dia de um Cruzeiro x Atlético é algo inesperado.

Rodrigo Antoni Xavier Pastana, esse é o nome dele."Pé quente" em grande estilo!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Um Início Confuso - Parte 1

"Por que Ricardo consegue deitar e gozar o sono dos anjos?", Ariteia indaga, olhando-o dormir a uma distância que lhe conferia certa privacidade.  "Ele é um desgraçado que atropelaria a própria mãe para se dar bem em um negócio", pragueja. Ricardo roncava com os olhos bem fechados e no momento em que tais palavras foram proferidas ele abriu os olhos e sentiu algo estranho a espetar a sua região abdominal. Alguns segundos depois, mais desperto, toma consciência dessa sensação e reconhece a vontade de defecar urgentemente. Nesse exato momento, enquanto Ariteia praguejava, Ricardo cagava.

Ele é um rapaz bem apessoado, alguns até diriam que ele é boa-pinta. Alto, cabelo sempre aparado e penteado, roupas que poderiam facilmente defini-lo como alguém "da moda". Demonstrava um tipo de sorriso em cada ocasião. Se estava em uma reunião de negócios, chegava sorrindo e mostrando os dentes superiores. Em uma ocasião menos formal apenas gesticulava com o canto direito dos lábios, sem abrir a boca. Quando estava acompanhado de uma mulher, gesticulava com o canto esquerdo e quando a moça relatava uma situação "engraçada" mostrava os dentes superiores. Em todas as situações ele contêm qualquer vontade de gargalhar. Em seu trabalho, frequentemente se deparava com as mesmas situações dia-a-dia, assim ele pôde praticar seus múltiplos sorrisos diversas vezes. O único comportamento de sua boca que ele não tinha controle era o ronco. Óbvio que tentara. Além de já ter experimentado todas as marcas de descongestionadores existentes, também já se submetera a uma cirurgia para corrigir uma falha nasal anatômica. Tudo em vão. Acostumou-se com o fato de roncar e aceitou a ideia de que ninguém é perfeito.

Ariteia é o oposto de Ricardo. Possui uma aparência difícil de descrever sem parecer que o descritor está exagerando. Tudo nela é para mais. Suas medidas, seus trejeitos e sua falta de comedimento nas ações. Etiqueta é uma palavra que nenhuma pessoa em sã consciência utilizaria para se referir a ela. Sua espontaneidade caótica sempre causa certo embaraçamento nas pessoas que se relacionam com ela. Certa vez, Dona Rute, vizinha da porta da frente do apartamento da moça, tentou alertar Ariteia para a animosidade que o excesso de espontaneidade poderia causar. Ariteia não entendeu a dica, embora Dona Rute acredite ter sido suficientemente clara e que na verdade a moça apenas fingiu não ter entendido. Assim, com essa certeza, Dona Rute acabou por criar certa animosidade em relação à sua vizinha atrapalhada.

Há seis meses, Ariteia era auxiliar da secretária do patrão de Ricardo. Quando recebeu a notícia de que seria promovida à secretária de Ricardo, pensou que seria uma excelente oportunidade para explorar as potencialidades que acreditava possuir. No primeiro dia no novo cargo, dedicou o dobro do tempo para organizar a papelada do novo patrão. Quando Ricardo viu tamanha organização, sorriu contorcendo os cantos da boca. Nada disse, mas Ariteia sentiu o quanto o havia agradado. Não demorou muito para o sorriso com os cantos da boca ser algo comum no relacionamento entre eles.

O comportamento de Ariteia nunca fora algo que despertasse a atenção de Ricardo. Havia trabalhado com cerca de dez secretárias nos últimos três anos. Comeu duas que eram excepcionalmente atraentes, mas, de uma maneira geral, não tinha intimidade com elas. Sua vida profissional seguia o curso que planejara  e a vida pessoal (se é que se pode dividir a vida) estava como sempre esteve, ligava para a mãe todas as segundas-feiras  e a visitava sempre nas manhãs de sábado. Sua mãe constitui toda a sua família. Cultiva algumas amizades da infância, mas não acredita que precise vê-los frequentemente. Se aproxima das mulheres somente para satisfazer sua vontade de foder. Quando não consegue pela via do convencimento oral, consegue pela via comercial. Afinal, "são negócios, elas vendem um produto que quero consumir", explica para os colegas do trabalho.

Certo dia, Ariteia escutou Ricardo contar para um colega do escritório a respeito de uma de tais transações econômicas. Após sentir um arrepio, pensou na carência afetiva que Ricardo vivenciava. E, com o jeito Ariteia de ser, foi logo contar para o patrão que possuía uma amiga que era o número dele. Não era uma mentira, de fato uma das amigas de Ariteia havia comentado que queria um relacionamento com um homem sensível e maduro. Ricardo e tal amiga se encontraram numa sexta-feira. Jantaram, beberam,  foderam e dormiram. E esse foi todo o contato que tiveram. Ariteia estranhou e indagou a amiga sobre como havia sido o encontro e o porquê de não se encontrarem novamente. Esta afirmou que o encontro havia sido ótimo! Mas, após a transa, conversaram e concordaram que estavam em momentos diferentes de suas vidas. "Momentos diferentes de suas vidas"?, pensou Ariteia. "Essa deve ser a desculpa para duas pessoas promíscuas foderem sem compromisso", continuou.

Ricardo saiu do banheiro pigarreando. Dirigiu-se à cozinha e encheu um copo com água. Não reparou que Ariteia estava de vigília na copa escura. Esvaziou o copo e foi para o quarto. Ariteia permaneceu sentada na cadeira da copa, observando toda a movimentação.

Há duas semanas a secretária recebeu no escritório a visita de uma mulher de meia-idade. Cabelo grisalho, um metro e sessenta, roupas distintas que lhe davam a aparência de uma irmã de caridade. A mulher queria conversar com Ricardo sobre uma consultoria que ele havia-lhe prestado. Ariteia foi informar o patrão acerca da mulher presente na recepção. Porém, quando abriu a porta do escritório não o encontrou. Surpresa, foi contar para a "irmã de caridade" que o patrão não estava no escritório e que não sabia aonde ele estaria. A mulher perdeu o ar sacro e profanou uma dúzia de insultos na direção de Ariteia, que estava parada sem entender tal reação. "Puta que pariu, que desgraça foi aquela", pensou a secretária. Um minuto depois, Ricardo apareceu, saindo de trás das cortinas do escritório, sorrindo com os cantos da boca. "Doida!", falou o fugitivo. "Defendi o marido dela de uma acusação de assalto e ela achava que o valor que me pagou cobriria também o recurso do processo, rá, rá. Agora vem sempre aqui para reaver o investimento", continuou. "Esqueci de lhe falar, Ariteia: sempre que essa doida varrida aparecer aqui você diz que eu saí".